O Fluminense acertou em cheio na contratação do Walter. Trata-se de um jogador que sabe finalizar, passar, lançar, proteger a bola e se colocar em campo. Tem apenas 24 anos e está numa grande fase. Grande contratação.
Mas até aí morreu Neves. Até o Caio Ribeiro sabe disso. O grande barato da contratação do Walter é a manutenção da tradição - eu diria linhagem - de jogadores folclóricos do futebol carioca. Vamos lá, da frente pra trás: Hernane Brocador, Obina, Bandoch, Dimba, Túlio Maravilha, Beto Cachaça, Valdir Bigode, Nelson Patola, Super Ézio, etc, etc. etc. E isso pra ficar só na década de 1990.
É evidente que o que chama atenção no Walter - além da bola que ele joga - é a sua forma física atípica para um jogador profissional: barriga molenga gelatinosa e bunda de baiana de escola de samba. Quando se fala de Walter, esse é sempre o "X" da questão. As piadas se repetem ad infinitum: "Walter comeu a bola", "Walter estava com fome de gols", "Um jogador de peso" e por aí vai. Todo mundo tira uma casquinha, mas no fundo no fundo todo mundo acha que ele jogaria muito mais se emagrecesse. Eu discordo. Acho que o Walter joga melhor gordo e que a pança e a bunda ajudam-no - e muito - a se destacar em campo. Aliás, há um lance emblemático que prova meu ponto. É o segundo gol desse jogo aqui: http://www.youtube.com/watch?v=y2t_TFoRUgI.
Reparem só como a barriga do Walter é o ponto de partida do gol. Se ele fosse magro, o Fluminense poderia ter se classificado. A barriga nos eliminou. Não precisamos ir muito longe, todo tricolor sabe que é melhor ter uma barriga a favor do que contra.
Além disso, quando vejo o Walter jogar, me lembro dos meus tempos de menino, do "golzinho" na rua em Madureira que colocava de um lado os magros e do outro os gordos. Isso aí: magros X gordos era a grande rivalidade da rua, e, ainda que eu integrasse o time dos magros, o jogador mais habilidoso do golzinho era o Jorginho: um gordo marrento cheio de malícia que não tinha o menor pudor em trocar um gol certo por um come seco pra trás. Ele gostava de tirar onda com um magro, e mesmo quando esse magro era eu, aquilo era divertido. Ver um gordinho marrento habilidoso dando um chapéu ou uma caneta é um dos prazeres mais esquisitos que se pode ter. Dá gosto de ver.
Me lembro de ter assistido a um jogo do Goiás no ano passado comentado pelo Roger, que havia jogado com o Walter no Cruzeiro. Num de seus comentários, Roger disse que "o negócio do Walter é biscoito recheado". Ainda bem que o antidoping não pega traquinas.
I. K.
I. K.
Nenhum comentário:
Postar um comentário