sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

O Antidoping não pega Trakinas



O Fluminense acertou em cheio na contratação do Walter. Trata-se de um jogador que sabe finalizar, passar, lançar, proteger a bola e se colocar em campo. Tem apenas 24 anos e está numa grande fase. Grande contratação.

Mas até aí morreu Neves. Até o Caio Ribeiro sabe disso. O grande barato da contratação do Walter é a manutenção da tradição - eu diria linhagem - de jogadores folclóricos do futebol carioca. Vamos lá, da frente pra trás: Hernane Brocador, Obina, Bandoch, Dimba, Túlio Maravilha, Beto Cachaça, Valdir Bigode,  Nelson Patola, Super Ézio, etc, etc. etc. E isso pra ficar só na década de 1990.

É evidente que o que chama atenção no Walter - além da bola que ele joga - é a sua forma física atípica para um jogador profissional: barriga molenga gelatinosa e bunda de baiana de escola de samba. Quando se fala de Walter, esse é sempre o "X" da questão. As piadas se repetem ad infinitum: "Walter comeu a bola", "Walter estava com fome de gols", "Um jogador de peso" e por aí vai. Todo mundo tira uma casquinha, mas no fundo no fundo todo mundo acha que ele jogaria muito mais se emagrecesse. Eu discordo. Acho que o Walter joga melhor gordo e que a pança e a bunda ajudam-no - e muito - a se destacar em campo. Aliás, há um lance emblemático que prova meu ponto. É o segundo gol desse jogo aqui: http://www.youtube.com/watch?v=y2t_TFoRUgI.

Reparem só como a barriga do Walter é o ponto de partida do gol. Se ele fosse magro, o Fluminense poderia ter se classificado. A barriga nos eliminou. Não precisamos ir muito longe, todo tricolor sabe que é melhor ter uma barriga a favor do que contra.

Além disso, quando vejo o Walter jogar, me lembro dos meus tempos de menino, do "golzinho" na rua em Madureira que colocava de um lado os magros e do outro os gordos. Isso aí: magros X gordos era a grande rivalidade da rua, e, ainda que eu integrasse o time dos magros, o jogador mais habilidoso do golzinho era o Jorginho: um gordo marrento cheio de malícia que não tinha o menor pudor em trocar um gol certo por um come seco pra trás. Ele gostava de tirar onda com um magro, e mesmo quando esse magro era eu, aquilo era divertido. Ver um gordinho marrento habilidoso dando um chapéu ou uma caneta é um dos prazeres mais esquisitos que se pode ter. Dá gosto de ver.

Me lembro de ter assistido a um jogo do Goiás no ano passado comentado pelo Roger, que havia jogado com o Walter no Cruzeiro. Num de seus comentários, Roger disse que "o negócio do Walter é biscoito recheado". Ainda bem que o antidoping não pega traquinas.

I. K.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Orgulho Tricolor


http://globoesporte.globo.com/futebol/times/fluminense/noticia/2013/12/torcedores-do-flu-relatam-casos-de-hostilidade-apos-julgamento-no-stjd.html

     Tenho muito orgulho de ser tricolor. Aliás, tricolor de pai e mãe. E como todo tricolor na casa dos 30 anos, nunca me esqueço daquele 25 de junho de 1995 em que vencemos o maior jogo de futebol que já vi na minha vida. Não estava no estádio. Assistia ao jogo num clube com meu pai e aos 40 minutos do segundo tempo ouvia a imensa maioria dos torcedores presentes, vestidos com camisetas rubro-negras, cantarem “é campeão”. Aquele gol de barriga do Renato fez o tempo parar por um segundo, e daquele segundo em diante o Fluminense passou a ser um dos maiores amores da minha vida, um amor que me dilacera o peito de quando em vez.

     Com o passar dos anos, fui conhecendo um pouco mais a história do clube, e entre minhas descobertas está a de que nosso estádio é o berço tanto da seleção brasileira em específico quanto do futebol brasileiro em geral. Descobri que cedemos uma parte de nossa casa para a construção de uma rua que hoje é vital para toda a zona sul da cidade do Rio de Janeiro. Também descobri que um dos maiores atletas da nossa história – uma espécie de Leonardo da Vinci do esporte, diga-se de passagem, pois foi campeão de futebol, de basquete, de natação e de outras modalidades – recusou-se a receber dinheiro para defender as cores do clube, e que um dos nossos mais importantes goleiros – e foram muitos – pediu que lhe amputassem um dedo para voltar a defender o Fluminense mais rápido. E além dessas descobertas de um passado que não vivi, eu vi com meus olhos um técnico campeão do mundo abrir mão de outras propostas para treinar o time na terceira divisão do campeonato brasileiro, que disputamos e vencemos.

     É impossível não ter orgulho de ser tricolor. E não será essa história mal contada e muito mal escutada que estamos vivendo no presente momento que vai nos tirar esse orgulho. Escolheram o Fluminense como o boi de piranha do futebol brasileiro. Tudo o que há de errado é por nossa culpa. Somos os corruptores, os corruptos, os adeptos da Lei de Gérson, os criminosos. Dessa forma, empurram para o cantinho escuro do esquecimento aquilo de que têm vergonha. Hiroshis, papéis amarelos e Euricos vão para a sombra. Todos os holofotes se voltam para, ou melhor, contra o Fluminense. Nós, tricolores, não devemos fazer o mesmo que nossos adversários. Precisamos olhar de frente nosso passado e nosso presente, especialmente os episódios mais polêmicos. E o que encontraremos? Encontraremos em 1996 um caso de corrupção do qual não fomos protagonistas mas do qual acabamos nos beneficiando indiretamente, que culminou com aquela cena patética do champanhe da qual nos envergonhamos. Encontraremos em 2000 um imbróglio juducial bastante complicado que levou à organização de um novo campeonato, para o qual fomos convidados. Encontraremos, por fim, em 2013, uma questão também complexa envolvendo o regulamento, seu descumprimento e a ação de um tribunal esportivo. Em nenhum dos três episódios nos envolvemos diretamente, mas temos que admitir que fomos beneficiados de uma forma ou de outra.

     Vale a pena perdermos um pouco de tempo com esse último episódio. Mas não quero falar da Portuguesa. Prefiro falar do nosso irmão bastardo, Smerdiákov Karamazov. O Flamengo escalou um jogador irregular durante toda a partida contra o Cruzeiro. Não foram 15 minutos, foi uma partida inteira e tratava-se de um titular absoluto. O jogo foi realizado na última rodada de um campeonato de pontos corridos, no qual todos os jogos têm o mesmo valor. E aí? Ele deveria ser absolvido? Não há prejuízo para os outros clubes que participam do campeonato e cumprem o regulamento?

     Não tenho e nem quero ter resposta para tudo, mas sei que o mundo não é tal e qual o jogo de polícia e ladrão do Atari que tanto me divertiu na infância. É um pouquinho mais complicado do que isso. Entender as coisas em sua complexidade exige esforço, mas nos aproxima mais da plenitude da experiência humana. O outro lado – a simplificação - é o que gera o preconceito, o ódio, a barbárie. É o que leva algumas pessoas a se matarem dentro de um estádio de futebol e outras a xingarem crianças de três anos.

I. K.

domingo, 1 de abril de 2012

Não é mentira.

Ok, isso é mentira


Apesar do 1º de abril, o primeiro tempo do jogo de hoje surpreendentemente não foi uma mentira. O Flamengo não jogava como jogou esse primeiro tempo a MUITO tempo. Toque de bola, a grande maioria do time jogando bem, zaga sem erros absurdos... Tava estranho. 

Motivos para torcer contra o time de Moça Bonita não faltaram hoje. Além de uma vitória rubro-negra ser necessária para que a liderança do grupo no carioquinha fosse alcançada, isso manteria o maior rival do Tricolor Suburbano na zona de rebaixamento. E foi o que aconteceu. Graças ao Love.

W(V)agner Love jogou como sempre: Sendo guerreiro, raçudo, bonito e sensual. Ops, não é sobre o Fluminense, perdão. Jogou bem e meteu 2, com chance clara de mais um no fim da partida, mas deivideou e errou o domínio e entregou pro goleiro. Falando em deividear, Ronaldinho foi outro que me fez usar o termo. Após três lances excelentes, incluindo uma tabela com love que resultou no primeiro gol, recebeu a bola livre na área após defesa do excelente goleiro banguense e isolou à la Deivid.

O segundo gol saiu após excelente passe do injustiçado - ou não - Deivid pra Love, que levou a bola com velocidade e chutou forte cruzado. Fla 2 x 0. A partir daí as coisas complicaram. Apesar do Fla ter chances ainda no 1º tempo, o Bangu melhorou e em duas oportunidades chutou bem no gol, obrigando Felipe a salvar o Fla. 

No segundo tempo o memorável apagão Rubro-Negro contra o Olimpia voltou a assombrar. Logo nos primeiros minutos uma falta feita pelo Xerife chileno na entrada da área obrigou Felipe a salvar mais uma vez, contando com a ajuda providencial da trave. A falta de fôlego era visível. A altitude de macaé começou a fazer efeito e o Fla já não corria mais e assim o Bangu dominava o jogo. Aos 29 Sergio Junior - que na minha época virava Serginho - cabeceou sem defesa pro Paredão. Flamengo 2 x 1 Bangu. 

A partir daí o jogo esfriou e o Bangu, mesmo colocando o Fla na roda nesse "último quarto" do jogo, não conseguia criar. O jogo terminou e tirou um "ufa" dos rubro-negros. Agora é pensar na decisão de quarta-feira pela Libertadores. 

sábado, 24 de março de 2012

O Fluminense, o subúrbio, pipa e bola.




O Fluminense vai bem, obrigado. Venceu o Bonsucesso nessa tarde pelo placar de dois a zero confirmando todas as expectativas, já que jogou com seu time titular. Bastaram dezesseis minutos para a situação ficar definitivamente resolvida. Aos quatro, o Flu fez uma blitz e a bola sobrou para Leandro Eusébio, que deu bom passe para Wellington Nense ir ao fundo e cruzar na medida para Frederico escorar a bola com todo o cuidado para a rede. Um a zero com carinho. O Fluminense continuou em cima do Bonsucesso e o segundo gol veio após o pênalti claríssimo do goleiro Saulo em Wellington Nense, que havia recebido belo passe de Araújo. Frederico guardou. O Fluminense ainda teve boas chances no primeiro tempo – uma delas foi incrivelmente perdida por Araújo – mas não conseguiu ampliar.

Os últimos quarenta e cinco minutos do jogo foram encarados pelos jogadores do Fluminense como mera formalidade burocrática, e Abel aproveitou que a parada já estava resolvida para poupar Frederico, Wellington Nense e Araújo, destaques do primeiro tempo. Esse desinteresse do Flu, somado ao péssimo time comandado pelo grande ídolo “Marcão bigodinho de pedreiro” – figura chave no resgate do orgulho da torcida tricolor no final dos anos noventa – fez com que a segunda etapa não fosse mais do que sonolenta. E os espectadores da partida só não dormiram mais profundamente por causa dos constantes apitos do juiz, que a todo o momento assinalava faltas cometidas pelos tricolores. No final, um dois a zero xoxo e burocrático, mas justíssimo.

Mais interessante do que o jogo deve ter sido o espetáculo de pipas no céu de Bangu, sobre o Estádio Proletário Guilherme da Silveira Filho. Fred e Araújo, substituídos, olhavam encantados para o alto e riam. De fato, futebol e pipa têm tudo a ver. Quem conhece o subúrbio do Rio de Janeiro sabe que durante as férias e aos finais de semana há um ritual sagrado entre os meninos de 8 a 80 anos de idade. Após o almoço e até o cair da tarde, é a hora de soltar pipa, e todos saem às ruas em busca de uma sombra para colocarem seus artefatos de madeira, papel, linha no alto para o combate contra os artefatos inimigos. Não há como negar; soltar pipa é um ato belicoso. O objetivo é cortar as linhas dos inimigos, aparar suas pipas e, finalmente, soltar o grito lascivo, orgástico, que celebra a própria vitória e humilha o derrotado que mora na rua ao lado: “Bota outra, otário!”.

No crepúsculo, quando a canícula já deu lugar a um clima um pouco mais ameno e o asfalto ou paralelepípedo das ruas já não queima mais os pés dos meninos, os enfrentamentos individuais travados no céu dão lugar aos embates coletivos no solo: saem as pipas e entra a bola. Golzinho, golzão, gol a gol, bobinho ou paredão. Não importa. O futebol vai até quando os meninos aguentam ficar de pé. Só acaba quando estão completamente exauridos. Só então eles se recolhem para suas casas. Precisam dormir. Precisam continuar os sonhos das noites anteriores. Sonhos povoados de pipas e bolas.

Hoje o Fluminense viveu um sábado suburbano feliz.

sexta-feira, 9 de março de 2012

O Fluminense não joga o Campeonato Argentino



36 jogos invicto. 32 no apertura da segunda metade do ano passado, do qual sagrou-se campeão, e 4 no clausura desse ano, no qual ainda não tinha sofrido um gol sequer. Apenas 3 derrotas em seu estádio para clubes brasileiros pela Libertadores na história. Esse era o retrospecto do Boca Juniors que enfrentou o Fluminense na Bombonera na noite dessa quarta-feira. Mas o Fluminense não joga o Campeonatos Argentinos, e também não é um clube brasileiro qualquer. O Fluminense é enorme. Mais Fluminense do que nunca, goleou o Boca pelo placar de 2 a 1.

Logo no início da partida, ficou claro que o Fluminense não se intimidaria diante do time argentino mesmo jogando no estádio mais temido do planeta. E não é temido sem motivo. A Bombonera é o maior estádio pequeno do mundo. Ela combina uma capacidade grande de público (49 mil pessoas) com o clima acanhado e caseiro que só os estádios pequenos têm. O Aniceto Moscoso (Conselheiro Galvão) é a casa do Madureira, o Mourão Filho (Rua Bariri) é a casa do Olaria, e a Bombonera é a casa do Boca Juniors. Na verdade, mais do que casas, esses estádios são lares, tamanha a carga sentimental que carregam. O Maracanã é um estádio maravilhoso, mas não é uma casa. O Engenhão não chega a ser nem um quarto de hotel, tamanha a sua frieza. Talvez estádios como o Murumbi, o Monumental de Nuñez ou o Old Trafford sejam casas, mas a Bombonera é mais que isso. Volto a dizer, ela é um lar. Um lar habitado por uma família grande e barulhenta, que grita, canta e batuca o tempo todo, empurrando o time quase sempre para as vitórias. Quase sempre. Pois ontem o Fluminense se comportou como o oficial de justiça que traz uma ordem de despejo. Se manteve impassível, entrou, cumpriu seu dever e foi embora sabendo que fez o que tinha que ser feito.

Suportou os primeiros minutos sem ser pressionado. Antes disso, adiantou sua marcação até a intermediária adversária e saiu para o jogo. Foi recompensado com o gol de Fred aos 9 minutos, após belo passe de Deco, que, seguro do que estava fazendo, impediu aquele mesmo Fred de bater a falta direto para o gol. Durante todo o primeiro tempo, o Boca chegou com perigo apenas numa cobrança de falta de Riquelme aos 16 e numa blitz aos 43. Muito pouco. Não chegou a assustar o Flu.

O segundo tempo foi um pouco mais tenso. O Boca saiu pro jogo e acabou pressionando o Fluminense em alguns momentos, em especial no início e no fim da etapa. Logo no primeiro minuto, Riquelme acertou uma belíssima cobrança de falta na trave. No rebote, Somoza empatou o jogo. 1 a 1. Nesse momento, tudo poderia acontecer. No entanto, o que aconteceu de fato foi que aos 9 minutos Wellington Nense dominou uma bola vadia na ponta esquerda, entortou Caruzzo e cruzou para Deco pegar de bate-pronto e fazer o segundo do Flu. Durante os 35 minutos seguintes o Boca bem que tentou empatar o jogo, mas esbarrou na falta de qualidade de seu próprio time, que conta apenas com o brilho e a elegância de Riquelme e o esforço de mais três bons jogadores (Clemente Rodriguez, Erviti e Mouche), e na determinação dos tricolores de segurar o resultado (Digão foi o retrato da raça do Flu, saindo sem ar de campo depois de levar uma bolada no final do jogo). 2 a 1. Vitória tricolor.

O resultado premiou o time que mostrou ter mais qualidade e, ao mesmo tempo, mais consciência dentro de campo. O time do Fluminense se encontrou no campeonato carioca, conta com um grande goleiro que sabe pegar pênaltis, um meio de campo de muita qualidade e um ataque formado por jogadores que se completam. A defesa ainda precisa melhorar, mas os últimos jogos mostraram que já houve algum avanço. Além disso, o time é experiente e sabe jogar fora de casa. O destaque desse time no jogo de ontem, mais uma vez, foi Diguinho, preciso nos desarmes e perfeito na saída de bola. Ele deve ter descoberto que o juiz encarregado do seu caso é tricolor. Apenas isso poderia explicar sua súbita subida de produção nos últimos jogos, desde a eliminação do Botafogo na semifinal da Taça Guanabara até o triunfo sobre o Boca na Argentina. Está jogando tudo isso pra se livrar das acusações de contrabando e lavagem de dinheiro que pesam sobre ele.

Quanto ao Boca, pode chegar longe na Copa por causa de dois fatores: Riquelme e a Bombonera. Entretanto, é mais provável que fique no meio do caminho em razão da incompetência da maior parte dos seus jogadores, que formam um plantel que poderia ser, seguramente, o do Coritiba ou do Bahia, times brasileiros que apenas cumprem tabela.

I. K.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

O campeão e o vice.

Eu como bom flamenguista me senti na obrigação de escrever hoje, apesar de meu time (in)felizmente não jogar essa final. Como sabia que meu irmão provavelmente iria ao jogo, aproveitei a tarde quente deste domingo para ver um jogo daqueles que você antes de começar já sabe o fim.

Sabe-se o fim por que um dos times era o Vasco. Quando este está na final, a gente já tem quase certeza do que vai acontecer.

Mas um jogo de futebol (felizmente!) não é feito só de fim. Então voltemos à ordem cronológica.

Começarei obviamente pela transmissão. Quem acompanhou pela Globo, como eu, não pôde deixar de perceber a "homenagem musical" aos times presentes nessa final antes do jogo. Um pagode ruim(pleonasmo? Certamente não.) rimando o nome dos jogadores com elogios. Não sei até que ponto a Globo vai, mas tenho medo. Ao longo dos anos tá havendo uma digievolução na imagem dos jogadores na escalação. Antes eram fotos, depois uma virada de rosto, e agora, eles levantam a cabeça E fazem um gesto qualquer. Se não bastassem as tosquisses ANTES da bola rolar, agora em cada tempo são exibidos belíssimos vídeos quando o atacante craque do seu time de coração arranca sozinho rumo à área do rival. E, se não bastasse o Wescley, de Rondonópolis - Mato Grosso querendo saber qual o melhor jogador do Campeonato Carioca, o narrador faz questão de elogiar cada elemento do vídeo. Seja ele uma criança desdentada gritando, seja uma bandeira furada pendurada no fundo.

Mas enfim, vamos ao jogo.

O Flu começou o jogo dominando. Praticamente todo meio campo e ataque do time se movimentavam e jogava com toques rápidos. Com menos de 1 minuto Wellinton Nem viu a bandeira se levantar para um lance que estava em posição legal. É normal vermos isso em jogos do Carioca, aliás. A quantidade de erros de arbitragem é grotesca. Enfim.
Com pouco mais de um minuto, Nem driblou o "mito" Dedé(um Junior Baiano com grife) e adentrou a área cruz-maltina. Preferiu o chute - bizarro - ao invés de um possível passe para o Frederico.

O primeiro lance de perigo do time de São Cristóvão foi numa bola parada. Juninho(sempre ele!) cruzou e Zidanilton [sic] cabeceou rente a trave de Cavalieri.

O Fluminense seguiu melhor, com mais duas chances. Um chute estranho do Thiago Neves, que Prass defendeu e uma bola rolada de Deco para Fred, que chutou por cima, pressionado pelo bisonho Rodolfo.

Barbio, o Cortês que não deu certo, começou a jogar e com isso o Vasco melhorou. Aos 30 ele entrou na área após jogada feita na ponta esquerda e chutou longe. Logo depois, aos 33, a jogada de maior perigo do Vasco aconteceu. Andersou furou bisonhamente e com isso, Alecsandro (irmão do Richarlysson, não se esqueçam) rolou para Diego Souza, que bateu na trave.

Esse "fogo" vascaíno - impulsionado pela torcida, é verdade - durou pouco. Nem entrou na área aos 35 e driblou Fágner, que apelou para um carrinho. Pênalti claro marcado pelo representante rubro-negro do jogo, Marcelo de Lima Henrique. Fred bateu bem e abriu o placar. Flu 1 x 0. E 7 minutos depois, Deco provando que ainda é craque, apesar de ancião e bichado, chutou de fora da área, aproveitando erro de posicionamento causado pela afobação de Prass, que já saía para um possível cruzamento. Flu 2 x 0.

É o Mengão na final da Guanabara!

Rodolfo, o bisonho Rodolfo, logo depois desse gol mostrou o que seria o Vasco no segundo tempo. Errou um domínio, facilitando o desarme de Thiago Neves, que entrou sozinho na área e perdeu.

Contra-ataques. Foi assim que o Flu jogou praticamente todo o segundo tempo. E foi assim que saiu o terceiro gol. Logo aos 11, um excelente contra-ataque foi armado e a bola chegou em Thiago Neves, que rolou para Fred, ampliar. Flu 3 x 0.

E aí o desespero pela aproximação de mais um vice campeonato tomou conta do Sempre Vice. Dedé resolveu assumir que realmente é um discípulo de Junior Baiano e foi pro ataque. Wellinton Nem aproveitou esse desespero e apareceu sozinho na área cruz-maltina, mas tentou fazer graça e driblar o goleiro, se enrolou e perdeu a bola.
Tão acabando o estoque de piadas e montagens.

Aos 38 os tricolores já comemoravam nas arquibancadas, mas Eduardo Costa, de cabeça, fez essa comemoração diminuir. Flu 3 x 1.

Foi aí que o Vasco resolveu jogar o que não jogou o jogo inteiro. Ou só se desesperou mesmo. Aos 39, Dedé quase incendiou o jogo, cabeceando uma bola na trave. Logo depois, Diego Souza e Alecsandro tiveram chances dentro da pequena área, ambas salvas por Cavalieri. Pena que poucos vascaínos permaneciam no estádio nesse momento.

A pressão acabou e o Flu só aguardou ao apito final, pra quebrar 2 jejuns. O da Taça Guanabara, que não vencia desde 1993, e o da série de 12 clássicos sem vitória.

O time que menos jogou na fase classificatória mostrou que tem elenco e jogadores que quando são chamados, decidem. Campeão, com méritos.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Finalmente 1(2)!

Time que quer ser campeão em torneio com fase mata-mata precisa ter um goleiro pegador de pênaltis. Se não fosse Taffarel, o Brasil não teria ganho a Copa de 94 e não teria chegado à final em 98. Sem Marcos, o Palmeiras não teria chegado a duas finais de Libertadores consecutivas. Sem Bruno e Felipe, o Flamengo não teria ganho os Campeonatos Cariocas que conquistou recentemente. Os exemplos poderiam se multiplicar infinitamente, sempre confirmando a tese de que goleiro bom nos pênaltis é imprescindível num mata-mata. Ontem não foi diferente. Graças a Cavalieri, o Fluminense está na final da Taça Guanabara.

O jogo começou bastante disputado, com muita correria, muito perde e ganha no meio-campo e o Botafogo levemente superior. No entanto, apesar do maior volume de jogo dos crying boys, o Fluminense sempre foi mais perigoso, assustando logo nos primeiros minutos com um preciso cruzamento de Carlinhos que não foi devidamente aproveitado pelo pequenino Wellington Nem. Fred e Thiago Neves – após belo passe de Bruno – também desperdiçaram boas chances, enquanto pelo lado do Botafogo os lances mais perigosos saíram dos pés de Elkeson. Primeiro, o sueco cobrou falta de longa distância para defesa de Cavalieri, depois deu um belo passe de calcanhar para o bom arremate de Andrezinho de fora da área. E foi isso. Primeiro tempo sem gols e muito aquém do emocionante Vasco e Flamengo do dia anterior.

No segundo tempo o panorama mudou. O Fluminense assumiu a postura de time grande e passou a pressionar o Botafogo, que, nervoso, mal conseguia passar do meio-campo. As chances não tardaram a aparecer. Primeiro com Fred após malandra cobrança de escanteio de Thiago Neves, depois com o próprio Thiago, que cabeceou uma bola milagrosamente salva por Jefferson. Entretanto, aos 28 minutos o mesmo filme dos últimos confrontos entre Fluminense e Botafogo ameaçou se repetir: domínio do Fluminense, chances perdidas, gol e classificação botafoguenses. Lucas lançou Herrera na ponta direita, a zaga tricolor parou pedindo impedimento, Herrera cruzou e Elkeson, o melhor jogador em campo, fez 1 a 0 para o Bota.

Mas ainda faltavam 15 minutos, e nunca podemos nos esquecer que o Botafogo nasceu com a vocação da derrota. Está na certidão de nascimento do clube, no DNA. DERROTA. E é quando parece que virá uma grande vitória ou um momento glorioso que essa vocação se mostra mais forte do que nunca. Pressão do Flu, lançamento de Deco, Márcio Azevedo deu condição, Leandro Eusébio dominou com a canhota e bateu com a direita. 1 a 1. Decisão por pênaltis.

Fred bateu com força no canto esquerdo. 1 a 0. Andrezinho deslocou Cavalieri com categoria. 1 a 1. Jean – melhor cobrador do Flu nos treinamentos – bateu fraquinho no canto direito. Jefferson pegou. Herrera bateu com segurança no canto direito. 2 a 1 Bota. Thiago Neves bateu no meio e empatou. Lucas bateu muito mal no canto esquerdo e Cavalieri pegou. He-man mandou grama, cal e a bola pra dentro. Renato esbanjou categoria. Anderson bateu o melhor pênalti da série. E... sobrou Loco Abreu. O que tem culhões. O apresentador de TV. O torcedor do Nacional. Mas nada disso adiantou. Loco bateu mal, fraco, rasteiro, do lado esquerdo, e Cavalieri fez a defesa com facilidade, mostrando ao mesmo tempo frieza para esperar o momento certo e agilidade para saltar na bola.

Resta ao Bota a Taça Rio. O time tem qualidade, mas sentiu a falta de Maicosuel. Peças de reposição de mais qualidade cairiam bem. O Flu segue em busca da Taça Guanabara. Mostrou que, além do excelente time e do banco de altíssima qualidade, tem embaixo das traves um goleiro que, na hora do aperto, se tudo der errado e sobrarem só os pênaltis, tem cacife para segurar a onda e garantir o time. Um goleiro que assusta os cobradores adversários. Finalmente um camisa 1(2)! Carioca e Libertadores precisam disso. O Fluminense vem forte.