sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Finalmente 1(2)!

Time que quer ser campeão em torneio com fase mata-mata precisa ter um goleiro pegador de pênaltis. Se não fosse Taffarel, o Brasil não teria ganho a Copa de 94 e não teria chegado à final em 98. Sem Marcos, o Palmeiras não teria chegado a duas finais de Libertadores consecutivas. Sem Bruno e Felipe, o Flamengo não teria ganho os Campeonatos Cariocas que conquistou recentemente. Os exemplos poderiam se multiplicar infinitamente, sempre confirmando a tese de que goleiro bom nos pênaltis é imprescindível num mata-mata. Ontem não foi diferente. Graças a Cavalieri, o Fluminense está na final da Taça Guanabara.

O jogo começou bastante disputado, com muita correria, muito perde e ganha no meio-campo e o Botafogo levemente superior. No entanto, apesar do maior volume de jogo dos crying boys, o Fluminense sempre foi mais perigoso, assustando logo nos primeiros minutos com um preciso cruzamento de Carlinhos que não foi devidamente aproveitado pelo pequenino Wellington Nem. Fred e Thiago Neves – após belo passe de Bruno – também desperdiçaram boas chances, enquanto pelo lado do Botafogo os lances mais perigosos saíram dos pés de Elkeson. Primeiro, o sueco cobrou falta de longa distância para defesa de Cavalieri, depois deu um belo passe de calcanhar para o bom arremate de Andrezinho de fora da área. E foi isso. Primeiro tempo sem gols e muito aquém do emocionante Vasco e Flamengo do dia anterior.

No segundo tempo o panorama mudou. O Fluminense assumiu a postura de time grande e passou a pressionar o Botafogo, que, nervoso, mal conseguia passar do meio-campo. As chances não tardaram a aparecer. Primeiro com Fred após malandra cobrança de escanteio de Thiago Neves, depois com o próprio Thiago, que cabeceou uma bola milagrosamente salva por Jefferson. Entretanto, aos 28 minutos o mesmo filme dos últimos confrontos entre Fluminense e Botafogo ameaçou se repetir: domínio do Fluminense, chances perdidas, gol e classificação botafoguenses. Lucas lançou Herrera na ponta direita, a zaga tricolor parou pedindo impedimento, Herrera cruzou e Elkeson, o melhor jogador em campo, fez 1 a 0 para o Bota.

Mas ainda faltavam 15 minutos, e nunca podemos nos esquecer que o Botafogo nasceu com a vocação da derrota. Está na certidão de nascimento do clube, no DNA. DERROTA. E é quando parece que virá uma grande vitória ou um momento glorioso que essa vocação se mostra mais forte do que nunca. Pressão do Flu, lançamento de Deco, Márcio Azevedo deu condição, Leandro Eusébio dominou com a canhota e bateu com a direita. 1 a 1. Decisão por pênaltis.

Fred bateu com força no canto esquerdo. 1 a 0. Andrezinho deslocou Cavalieri com categoria. 1 a 1. Jean – melhor cobrador do Flu nos treinamentos – bateu fraquinho no canto direito. Jefferson pegou. Herrera bateu com segurança no canto direito. 2 a 1 Bota. Thiago Neves bateu no meio e empatou. Lucas bateu muito mal no canto esquerdo e Cavalieri pegou. He-man mandou grama, cal e a bola pra dentro. Renato esbanjou categoria. Anderson bateu o melhor pênalti da série. E... sobrou Loco Abreu. O que tem culhões. O apresentador de TV. O torcedor do Nacional. Mas nada disso adiantou. Loco bateu mal, fraco, rasteiro, do lado esquerdo, e Cavalieri fez a defesa com facilidade, mostrando ao mesmo tempo frieza para esperar o momento certo e agilidade para saltar na bola.

Resta ao Bota a Taça Rio. O time tem qualidade, mas sentiu a falta de Maicosuel. Peças de reposição de mais qualidade cairiam bem. O Flu segue em busca da Taça Guanabara. Mostrou que, além do excelente time e do banco de altíssima qualidade, tem embaixo das traves um goleiro que, na hora do aperto, se tudo der errado e sobrarem só os pênaltis, tem cacife para segurar a onda e garantir o time. Um goleiro que assusta os cobradores adversários. Finalmente um camisa 1(2)! Carioca e Libertadores precisam disso. O Fluminense vem forte.

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