Sabe-se o fim por que um dos times era o Vasco. Quando este está na final, a gente já tem quase certeza do que vai acontecer.
Mas um jogo de futebol (felizmente!) não é feito só de fim. Então voltemos à ordem cronológica.
Começarei obviamente pela transmissão. Quem acompanhou pela Globo, como eu, não pôde deixar de perceber a "homenagem musical" aos times presentes nessa final antes do jogo. Um pagode ruim(pleonasmo? Certamente não.) rimando o nome dos jogadores com elogios. Não sei até que ponto a Globo vai, mas tenho medo. Ao longo dos anos tá havendo uma digievolução na imagem dos jogadores na escalação. Antes eram fotos, depois uma virada de rosto, e agora, eles levantam a cabeça E fazem um gesto qualquer. Se não bastassem as tosquisses ANTES da bola rolar, agora em cada tempo são exibidos belíssimos vídeos quando o atacante craque do seu time de coração arranca sozinho rumo à área do rival. E, se não bastasse o Wescley, de Rondonópolis - Mato Grosso querendo saber qual o melhor jogador do Campeonato Carioca, o narrador faz questão de elogiar cada elemento do vídeo. Seja ele uma criança desdentada gritando, seja uma bandeira furada pendurada no fundo.
Mas enfim, vamos ao jogo.
O Flu começou o jogo dominando. Praticamente todo meio campo e ataque do time se movimentavam e jogava com toques rápidos. Com menos de 1 minuto Wellinton Nem viu a bandeira se levantar para um lance que estava em posição legal. É normal vermos isso em jogos do Carioca, aliás. A quantidade de erros de arbitragem é grotesca. Enfim.
Com pouco mais de um minuto, Nem driblou o "mito" Dedé(um Junior Baiano com grife) e adentrou a área cruz-maltina. Preferiu o chute - bizarro - ao invés de um possível passe para o Frederico.
O primeiro lance de perigo do time de São Cristóvão foi numa bola parada. Juninho(sempre ele!) cruzou e Zidanilton [sic] cabeceou rente a trave de Cavalieri.
O Fluminense seguiu melhor, com mais duas chances. Um chute estranho do Thiago Neves, que Prass defendeu e uma bola rolada de Deco para Fred, que chutou por cima, pressionado pelo bisonho Rodolfo.
Barbio, o Cortês que não deu certo, começou a jogar e com isso o Vasco melhorou. Aos 30 ele entrou na área após jogada feita na ponta esquerda e chutou longe. Logo depois, aos 33, a jogada de maior perigo do Vasco aconteceu. Andersou furou bisonhamente e com isso, Alecsandro (irmão do Richarlysson, não se esqueçam) rolou para Diego Souza, que bateu na trave.
Esse "fogo" vascaíno - impulsionado pela torcida, é verdade - durou pouco. Nem entrou na área aos 35 e driblou Fágner, que apelou para um carrinho. Pênalti claro marcado pelo representante rubro-negro do jogo, Marcelo de Lima Henrique. Fred bateu bem e abriu o placar. Flu 1 x 0. E 7 minutos depois, Deco provando que ainda é craque, apesar de ancião e bichado, chutou de fora da área, aproveitando erro de posicionamento causado pela afobação de Prass, que já saía para um possível cruzamento. Flu 2 x 0.
Rodolfo, o bisonho Rodolfo, logo depois desse gol mostrou o que seria o Vasco no segundo tempo. Errou um domínio, facilitando o desarme de Thiago Neves, que entrou sozinho na área e perdeu.
Contra-ataques. Foi assim que o Flu jogou praticamente todo o segundo tempo. E foi assim que saiu o terceiro gol. Logo aos 11, um excelente contra-ataque foi armado e a bola chegou em Thiago Neves, que rolou para Fred, ampliar. Flu 3 x 0.
E aí o desespero pela aproximação de mais um vice campeonato tomou conta do Sempre Vice. Dedé resolveu assumir que realmente é um discípulo de Junior Baiano e foi pro ataque. Wellinton Nem aproveitou esse desespero e apareceu sozinho na área cruz-maltina, mas tentou fazer graça e driblar o goleiro, se enrolou e perdeu a bola.
Aos 38 os tricolores já comemoravam nas arquibancadas, mas Eduardo Costa, de cabeça, fez essa comemoração diminuir. Flu 3 x 1.
Foi aí que o Vasco resolveu jogar o que não jogou o jogo inteiro. Ou só se desesperou mesmo. Aos 39, Dedé quase incendiou o jogo, cabeceando uma bola na trave. Logo depois, Diego Souza e Alecsandro tiveram chances dentro da pequena área, ambas salvas por Cavalieri. Pena que poucos vascaínos permaneciam no estádio nesse momento.
A pressão acabou e o Flu só aguardou ao apito final, pra quebrar 2 jejuns. O da Taça Guanabara, que não vencia desde 1993, e o da série de 12 clássicos sem vitória.
O time que menos jogou na fase classificatória mostrou que tem elenco e jogadores que quando são chamados, decidem. Campeão, com méritos.


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