segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O juiz “poser”, o morto-vivo e o bom malandro



O Cariocão 2012 não para de empolgar o torcedor. Depois do inesquecível clássico disputado por Flamengo e Botafogo na última semana diante de uma multidão de, pasmem, 8 mil torcedores, agora foi a vez de Fluminense e Vasco realizarem uma histórica disputa na frente de 7 mil almas. Haja coração, amigo! E, comandando a festa, uma grande estrela. Cantora, modelo, atriz e árbitro de futebol nas horas vagas, Antonio Schneider levou a galera à loucura! Ora, um espetáculo memorável como esse merece algumas palavras.

Os coadjuvantes Fluminense e Vasco entraram em campo dispostos a tentar ofuscar o brilho da diva de amarelo. O jogo começou quente, lá e cá, com o Vasco ligeiramente melhor, assustando logo no primeiro minuto com um chute perigoso de Bernardo. Porém, logo aos 6 minutos o Fluminense chegou a seu gol através de uma bela tabela entre Deco e Thiago Neves, jogadores que se completam e que têm tudo para realizar uma excelente temporada. Enquanto o primeiro é dono de um passe preciso e de uma imensa categoria, o segundo possui a velocidade, o drible e a finalização como pontos fortes, e foi exatamente colocando essas características em prática – com passe de Deco e finalização de Thiago Neves – que acabou saindo o primeiro gol do jogo. A partir daí, o Flu passou a dominar as ações. Sobis ajudava na marcação pelo lado esquerdo, impedindo as subidas de Fágner, e Feltri não rendia o suficiente pelo lado direito. Deco mandava no meio-campo e tramava boas jogadas com Fred e Thiago Neves. Diante desse panorama, as chances tricolores começaram a aparecer. Primeiro aos 18, quando Thiago Neves cruzou para Fred, que foi agarrado, arranhado, desejado por Dedé (o Jorge Laffon vascaíno) num pênalti solenemente ignorado pela popstar que apitava o jogo. Foi a primeira oportunidade em que ela conseguiu fazer com que o público esquecesse do jogo e voltasse suas atenções para seu corpinho sensual. Aos 25, um belo contra-ataque que contou com a participação de Deco, Thiago Neves e Fred terminou com uma bela defesa de Fernando Prass em voleio de Deco. Felipe, sempre lúcido, foi para o vestiário reconhecendo que o Fluminense havia sido melhor na primeira etapa.

O segundo tempo começou diferente. Cristóvão Borges tirou o nulo Chaparro e pôs William Barbio em seu lugar. Um volante por um atacante. Uma substituição ousada. E deu certo. Barbio passou a fazer companhia a Fagner e os espaços começaram a aparecer pelo lado direito. Tal e qual um bom malandro, que se finge de morto para dar o bote na hora certa, foi esse mesmo Fagner que apareceu livre aos 14 e cruzou na medida para Alecsandro fazer o gol de empate. Como sempre, o Fluminense sofre um gol pelo lado esquerdo da sua defesa. É surpreendente o fato de que todos os comentaristas sempre chamam atenção para a fragilidade da zaga do Fluminense, mas ninguém se lembra que o lateral-esquerdo desse time é um zumbi chamado Carlinhos, que passa 88 minutos do jogo num estado de completa letargia e dois minutos tendo espasmos de iniciativa. Não é possível que ninguém perceba isso. O Vasco foi melhor do que o Fluminense no segundo tempo e acabou vencendo o jogo justamente porque passou a forçar mais por aquele lado, disputado entre o morto-vivo chupa-sangue já citado e o bom malandro Fágner. Entretanto, apesar do domínio do lateral vascaíno, houve um momento em que essa disputa pendeu para o lado oposto. Um desses raros momentos em que um espasmo – quase uma convulsão, eu diria – toma conta do corpo da múmia paralítica e a leva a uma ação . Carlinhos deu um belo drible em Fágner dentro da área e levou uma banda em troca. Pênalti. Metade do estádio viu. A outra metade, ou seja, os 285 árbitros que a FERJ mandou a campo, preferiu ignorar. Os jogadores do Fluminense ficaram irritados (especialmente Wellington Nem, que havia entrado na vaga de Sóbis e estava de frete para a jogada), mas continuaram a jogar. Poucos minutos depois, Alecsandro virou o jogo depois de uma jogada muito bem ensaiada e melhor ainda executada em conjunto com Bernardo, que cobrou o escanteio na primeira trave contando com a antecipação do companheiro. 2 a 1.

O jogo já contava 32 minutos de sua etapa final a essa altura, e foi a partir daí que Antonio Beyoncé Schneider resolveu barbarizar. Deixou de dar um escanteio absurdo e algumas faltas escandalosas em jogadores do Fluminense, que, indignados, foram pra cima dele. Caíram na armadilha. Rebolando seu corpanzil, a estrela poser começou a distribuir cartões aos tricolores, amarelos e vermelhos, sem distinção, mas sempre cuidando de empinar sua bundinha e inflar o peitoral para aparecer bem na tela da TV (o jogo teve transmissão em HD). O Fluminense não pôde reagir.

Fico imaginando o vestiário dos árbitros... Deve ter um imenso espelho em que eles ficam treinando suas poses para o jogo, como meninas adolescentes no banheiro do shopping. Antes de entrar em campo, os comentários devem ser: “Lindaaaaaaaaaaa” / “Que nada, você é que é muito fofaaaaaaaaaaa” / “Ti amux mtoooooo migs”. Por aí.

I. K.

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