quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Pela porta dos fundos




O Fluminense saiu de forma melancólica da Copa São Paulo. O motivo não foi a derrota, pelo placar de dois a um, para o time do Corinthians, hoje, no Pacaembu. Na verdade, esse resultado não chega a ser surpreendente, tendo em vista que os gambazinhos jogavam em sua toca com o apoio de seus “maloqueiros” e tinham realizado – assim como o Fluminense – uma excelente campanha, recheada de sonoras goleadas. A saída melancólica à qual me referi está relacionada a outra causa, à qual me reportarei em seguida.

Primeiro vamos ao jogo. Os primeiros 15 minutos foram, como não poderia deixar de ser, marcados pelo nervosismo. Os dois times erravam muitos passes e marcavam com extrema dedicação. Ainda assim, Marcos Júnio (sim, o nome dele é Marcos Júnio e não Júnior) perdeu uma boa chance aos quatro minutos após falha da defesa adversária. Após esse nervosismo inicial, o jogo foi ganhando o contorno que teria até o final do primeiro tempo: o Corinthians com mais posse de bola e o Fluminense mais incisivo nos contra-ataques. As melhores jogadas do time paulista foram realizadas pelo atacante Leonardo, que, aos 27, driblou dois marcadores e arrancou da ponta esquerda para o meio concluindo com um chute cruzado que assustou Silésio. Pelo lado do Flu, as melhores jogadas foram concluídas por Marcos Júnio, que perdeu boas chances aos 21 e aos 23.

O segundo tempo começou tal qual o primeiro. Muito nervosismo, passes errados e marcação intensa. No entanto, numa jogada aparentemente despretensiosa, Marcos Júnio conseguiu cruzar para a área e, após falha do goleiro chorão Matheus Caldeira, Maicon fez o gol que colocou o Flu em vantagem. O Corinthians sentiu o gol, mas – graças às mexidas corajosas de Narciso – passou a pressionar o Flu a partir dos 15 minutos, alcançando o gol de empate aos 20, após cabeçada de Antonio Carlos (zagueiro capitão do time que jogou no Fluminense por seis anos). Após o empate, o jogo voltou a ser o que havia sido durante boa parte do primeiro tempo: Corinthians com a bola, Fluminense nos contra-ataques. Aos 30, o time tricolor perdeu uma peça importantíssima para sua estratégia: o meia Eduardo – rápido, bom passador e bom chutador de média distância – saiu sentindo uma torção no joelho esquerdo. Quando o jogo parecia caminhar para os pênaltis, aos 44, Antonio Carlos apareceu novamente, em outro escanteio, para fazer o gol da vitória e do título do Corinthians.

E agora eu volto à causa da saída melancólica do Fluminense da Copa São Paulo, ao motivo que fez o time sair da competição pela porta dos fundos. Ora, apesar da boa campanha e da partida de razoável para boa que fez na final da competição, o Fluminense não tinha o direito de, com o jogo empatado, fazer cera para levar a decisão para os pênaltis. É vergonhoso ver qualquer time se comportar assim sem ter ao menos uma vantagem, mas é deprimente assistir a um espetáculo como esse num time de garotos de até dezoito anos. Afinal de contas, o que esses meninos aprendem na base? Será que aprendem que é melhor decidir um título nos pênaltis do que ganhar com a bola rolando? Será que aprendem que é melhor segurar um empate do que arriscar e tentar a vitória? Não sei, mas acho que eles deveriam, acima de tudo, aprender a amar o futebol e a ter prazer em disputar uma competição com dignidade até o fim, sem medo de vencer. Parabéns ao Corinthians, que não teve medo e venceu. Quanto ao Flu, foi triste ver os meninos tricolores saindo pela porta dos fundos.

I. K.

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