quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

O que é “jeito de Libertadores”?




Os argentinos sabem jogar a Libertadores. Os uruguaios também. Os gaúchos, idem. Os brasileiros, não. Os bolivianos, equatorianos, colombianos e venezuelanos são inocentes. Os mexicanos não entendem a competição. Os chilenos batem. Os paraguaios podem surpreender. Por trás de todos esses clichês que cercam a competição mais desejada do continente americano na atualidade paira a mesma questão: o que é saber jogar a Libertadores? Ou, de forma mais clara, o que é “ter jeito de Libertadores”?

Acho que vale a pena começar com uma definição negativa, tentando entender o que é não ter jeito de Libertadores. Temos um exemplo muito próximo: o Fluminense na noite de ontem. Se tirarmos os 5 minutos iniciais, podemos caracterizar a atuação do time como medrosa, nervosa e covarde. Após a blitz que resultou no gol de Fred, o time entrou em parafuso. Os jogadores não arriscavam as jogadas, não agrediam, não ousavam em busca de mais gols. Muito pelo contrário, erravam passes primários no meio-de-campo, entregando a bola de graça ao adversário a todo o momento e se defendendo de maneira estabanada. Como num círculo vicioso, o nervosismo foi se acumulando e acabou descambando para as agressões. Primeiro Wagner e depois Leandro Eusébio agrediram gratuitamente atletas do Arsenal. Este último, aliás, no melhor estilo “Vida Bandida”, chutou a cara do cara caído, e, depois de ser expulso, ainda ficou com carinha de indignado. Ora, um time que, jogando em casa, passa 85 minutos recuado, com medo e tomando sufoco não é um time com jeito de Libertadores. Porrada gratuita e covardia não bastam.

Jeito de Libertadores é outra coisa. É ter culhão. Time que quer ganhar a Libertadores tem que deixar o adversário acuado quando joga em casa. Tem que se impor, dominar, amedrontar, falar grosso, mas, sobretudo, jogar bola e mostrar quem é o dono do campo. Tem que fazer os 11 adversários se sentirem estrangeiros indefesos num território hostil. Como fazer isso? Jogando sem medo, com raça, sem dar espaços, trazendo a torcida, atacando.

Fora de casa, o esquema é outro. Ali os 11 jogadores devem se transformar nos 300 de Esparta e resistir até a morte. Resistir à tudo. Aos campos horríveis, aos estádios acanhados, à pressão do time adversário, às pedradas da torcida. Resistir e saber atacar no momento certo. Aquele instante em que o adversário cansou de bater e você ainda tem o último fôlego. É preciso ser Muhammad Ali contra George Foreman.

Aliás, a metáfora relacionada ao boxe não está aqui à toa. Dedico este último parágrafo a um tema muito importante quando falamos de Libertadores: a porrada. Não existe Libertadores sem porrada. Tem que ter porrada. Tem que ter pelo menos um olho roxo ou uma costela quebrada. No entanto, uma coisa é um time sair na porrada porque apanhou o jogo inteiro, porque o adversário está querendo intimidar ou porque um companheiro levou uma bolada quando estava caído no chão. Nessas situações, sair na porrada é legítimo. Significa um levante diante de uma injustiça. É um ato de hombridade e, diria eu, de humanidade. Muito diferente de cair arreganhado sobre um adversário e dar um coice nele.

Se quiser arrumar alguma coisa, o Fluminense precisa urgentemente descobrir que chilique e covardia não são “jeito de Libertadores”.

OBS: Gaúchos e brasileiros são representantes de duas distintas nacionalidades que habitam o mesmo Estado.

I. K.

2 comentários:

  1. Libertadores: é preciso ser agressivo mesmo. Dar "porrada", mas sem ser burro. E em casa tem agredir o adversário mesmo. E fora-de-casa tem que catimbar, mas se ficar com medo.

    Agora, as torcidas do BRasil também precisam pegar o espírito da coisa. Ontem Fluminense vencendo de 1x0 um time argentino e começam a vaiar o Diguinho. Pra que? Vaia quando acabar o jogo...

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  2. A torcida tem que se concentrar em vaiar só o Carlinhos. Quando eu olho aquela cara de bunda dele eu sinto vontade de vomitar. Sujeito sem sangue nas veias, tolo molenga, bundão.

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